Dor aguda e dor crônica: entenda as diferenças e como identificar a sua

A dor é um mecanismo de defesa essencial para o organismo.

Ela quase sempre nos avisa quando algo não está funcionando bem no nosso corpo.

Ainda assim, nós temos uma capacidade incrível para suportá-la.

Mas como saber se o que você sente é uma dor aguda ou uma dor crônica?

Pensando nisso, criamos esse conteúdo pra te explicar as diferenças entre elas, e o que você pode fazer para:

  • retomar suas atividades
  • focar no que realmente importa
  • manter sua qualidade de vida

É notável o número de pessoas que ignora um sintoma doloroso até o momento em que ele se torna insuportável.

Com uma rotina agitada, dores na lombar, nos ombros, joelhos, enxaquecas e muitas outras são “empurradas pra baixo do tapete”, até o ponto em que a pessoa não aguenta mais e resolve procurar ajuda.

 

Dor crônica e dor aguda: veja como o cérebro interpreta cada uma delas.

O cérebro é nosso principal aliado no dia a dia.

Ele regula bilhões de informações a cada segundo, filtrando todos os estímulos que recebemos e nos informando apenas quando necessário.

Ao ficar sentado por algumas horas, você percebe que seu glúteo e suas costas ficam cansadas daquela posição.

Então você começa a sentir o sofá.

Mas se o sofá é o mesmo e você não mudou, porque essa informação nova?

 

Nosso cérebro capta informações a todo momento.

E quando elas estão em níveis aceitáveis, mantemos o dia sem interrupções, apenas sendo avisados quando algum nível chega ao limite.

Você pode imaginar como seria caótico entender nosso corpo se, a cada momento, sentíssemos tudo que ele é capaz de processar?

Assim como a visão, o olfato, a respiração, o equilíbrio (e outros mais de 30 sentidos), a dor também é um sentido. E é um importantíssimo sinalizador quando algo está errado.

Só que muitas vezes ignoramos esses sinais e, com o passar do tempo, acumulamos outras dores diferentes por pura falta de tratamento.

Então como exemplo, aquela dorzinha na lombar que era fraca começa a afetar outros músculos próximos, que precisaram se adaptar para tentar corrigir sua postura.

E quando você percebe, está com uma lista de dores prejudicando sua qualidade de vida.

Agora conheça as diferenças entre dor aguda e crônica, no campo da fisioterapia:

 

DOR AGUDA DOR CRÔNICA
Curta duração Longa duração
Função de proteção e de alerta fisiológico Perdeu a função de alerta, sendo uma doença por si só
Sinaliza uma lesão Separada do evento causador
Desaparece quando a causa da dor é tratada A intensidade já não está relacionada ao trauma inicial
Pode ser claramente localizada e tratada A causa pode ser desconhecida e o tratamento mais longo.

 

 

Dor crônica ou dor aguda? Entenda qual é a sua e como tratar

Dor aguda

  • Surge de repente
  • Não é contínua ou regular.
  • Tem uma duração limitada (podem ser dias ou meses)
  • É um sintoma: serve como alerta de algo errado no organismo

A dor aguda faz parte do nosso sistema de proteção e pode ser um alerta para uma lesão iminente ou real. É ela que mantém nossa integridade física.

 

Alguns exemplos de dor aguda:

  • Traumas (fraturas, torções, ligamentos)
  • Dor de cabeça
  • Artrite
  • Dor pós-operatória
  • Dor articular
  • Lesão causada por impacto excessivo
  • Lesão por esforço repetitivo
  • Torcicolo

Ao ser descoberta e tratada, o sintoma inicial desaparece.

Até certo ponto, é possível tolerar esse tipo de dor. Mas quando ignorada, ou tratada de forma errada, pode se desenvolver e evoluir para um quadro de dor crônica.

 

Dor crônica ou dor aguda? Entenda qual é a sua e como tratar

Dor crônica

  • Evolução da dor aguda ou sintoma de doença existente
  • Pode ser contínua ou ter intervalos sem dor
  • Dura mais de 3 meses
  • Pode não aparecer em exames

Qualquer dor que se arraste por mais de 3 meses pode ser considerada crônica.

Médicos mais antigos só a consideram crônica quando passa de 6 meses.

Mas esse é um tempo longo demais para esperar a dor passar, sem a ajuda do profissional certo.

Cerca de 40% da população brasileira sofre, de forma constante, com algum tipo de dor crônica.

E para essas pessoas, a dor deixa de ser um sintoma ou um sinal de aviso do organismo, e passa a ser a própria doença.

Pode parecer estranho pensar assim…

… Já que a dor é um mecanismo de defesa do organismo.

Mas após alguns meses, ela não está mais associada a um trauma ou lesão.

Então fica muito mais difícil explicar de onde veio.

 

Exemplos de dores crônicas mais comuns:

  • Dor na coluna
  • Enxaqueca incapacitante
  • Artrose
  • Subluxação do ombro
  • Nervo ciático
  • Hérnia (de disco, inguinal e outras)

Infelizmente, é comum o paciente sair decepcionado de uma consulta com o médico, por ouvir que está tudo perfeito nos exames.

Em muitos casos, a dor crônica vai além da sensação dolorosa e impacta a qualidade de vida do indivíduo, afetando o físico e o psicológico com:

  • ansiedade
  • mobilidade reduzida
  • alterações do sono
  • apetite irregular
  • distúrbios sociais
  • depressão
  • baixa produtividade no trabalho

O quadro crônico também pode tornar o nosso sistema nervoso mais sensível à dor, já que a estimulação repetida pode alterar a estrutura das fibras e células nervosas.

Como consequência, qualquer estímulo pode ser percebido muito mais forte do que o normal.

Esse efeito é chamado de sensibilização e pode ser eliminado conforme a dor crônica é tratada.

Muitas vezes, a causa do quadro crônico é óbvia, como uma lesão (não tratada) que evoluiu para dor crônica nas costas.

Ou então, a causa pode ser desconhecida, como em caso de cefaleia crônica que surgiu sem um motivo aparente.

 

O melhor tratamento mesmo é a prevenção, mas…

… É provável que você já esteja aqui buscando formas de tratar a dor, seja ela aguda ou crônica, para voltar logo ao seu ritmo de vida.

  • Se você conseguiu identificar qual o seu tipo de dor, o próximo passo é procurar um especialista capacitado para isso.
  • Se já consultou com seu médico e ouviu algo como “está tudo normal!”, sua próxima parada é na fisioterapia.

O fato é que várias pequenas dores podem agir em conjunto e formar um quadro doloroso contínuo, que só pode ser avaliado e tratado pelo profissional certo.

Por isso é tão importante receber a avaliação completa de um fisioterapeuta.

 


Referências:

https://www.csp.org.uk/publications/physiotherapy-works-chronic-pain

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/26373552

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